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7 benefícios do maracujá para a saúde e como usá-lo

Posted by: | Posted on: março 6, 2025

Originário da América do Sul, o maracujá (Passiflora edulis Sims) é uma fruta bastante popular em diversos países. No entanto, são os brasileiros que mais consomem e produzem essa fruta. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é responsável por cerca de 70% da produção mundial de maracujá.

Além de seu sabor cítrico e versatilidade culinária, os benefícios do maracujá para a saúde estão entre os motivos da sua popularidade. Veja a seguir!

1. Combate a ansiedade e o estresse

O maracujá é uma fruta que possui mais de 500 espécies, com origem na América Tropical, conforme dados disponíveis no site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Uma dessas espécies é o “maracujá silvestre”, também conhecido como “maracujá-do-sono”, típico de biomas como o Cerrado. Essa variedade possui efeito calmante, devido aos flavonoides e alcaloides presentes na polpa, que atuam no sistema nervoso, promovendo relaxamento e alívio do estresse.

2. Previne o envelhecimento pele

Segundo pesquisas desenvolvidas por especialistas da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA Unicamp) e da Rubian Extratos (empresa filha da UNICAMP), liderada pelo professor Julian Martínez, as sementes de maracujá é fonte de bioativos com potencial para prevenir o envelhecimento da pele.

Isso porque as propriedades das sementes estimulam a renovação celular e a produção de colágeno. Além disso, os estudos mostram que os extratos podem inibir a produção de enzimas responsáveis pela degradação do colágeno e elastina, além de estimular a proliferação de queratinócitos (células que produzem queratina e que formam a epiderme).

3. Auxilia no emagrecimento

O maracujá é rico em fibras solúveis e pectina, que formam uma espécie de gel viscoso e não digerível no estômago. Essa substância ajuda a prolongar a sensação de saciedade e a controlar o apetite. No entanto, para obter esses benefícios, é importante consumir a fruta in natura ou seu suco natural, evitando as versões industrializadas, que podem conter açúcares adicionados e contribuir para o ganho de peso. Vale lembrar que o maracujá, por si só, não promove emagrecimento. Seus efeitos devem ser aliados a uma alimentação equilibrada e a um estilo de vida saudável.

4. Favorece o funcionamento do intestino

As fibras solúveis presentes na fruta também ajudam a regular o trânsito intestinal, pois facilitam a formação de bolo fecal, promovem a proliferação de bactérias boas no intestino e eliminam toxinas e gorduras do organismo. Além disso, elas ajudam a absorver nutrientes essenciais presentes nos alimentos, favorecendo a saúde integral do intestino.

A farinha da casca de maracujá ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue (Imagem: MAHATHIR MOHD YASIN | Shutterstock)

5. Regula os níveis de glicose no sangue

Além do suco de maracujá, outros produtos feitos com a fruta também podem ser incorporados no dia a dia para potencializar a saúde. A farinha da casca de maracujá, por exemplo, é rica em pectina, uma fibra solúvel que, segundo o estudo “Pectin from Passiflora edulis shows anti-inflammatory action as well as hypoglycemic and hypotriglyceridemic properties in diabetic rats“, publicado no Journal of Medicinal Food, pode ajudar a reduzir a glicose no sangue.

Para chegar a essa conclusão, a pesquisa analisou a ação da pectina presente na casca do maracujá-amarelo em ratos machos da linhagem Wistar, que tinham diabetes induzida por aloxano (uma substância química tóxica produzida a partir de ácido úrico). Os animais foram divididos em dois grupos: um grupo controle (diabético) e um grupo tratado com pectina diariamente durante 5 dias.

Ao final do experimento, os pesquisadores observaram que a pectina reduziu os níveis de glicemia e triglicerídeos no grupo tratado, indicando que a substância “tem potencial como um tratamento alternativo útil para o diabetes tipo 2”.

Contudo, é importante lembrar que mais pesquisas são necessárias para confirmar esse efeito. Além disso, o maracujá não deve substituir o tratamento e o acompanhamento médico.

6. Reduz o colesterol alto

O estudo “Avaliação do potencial terapêutico da farinha da casca de Passiflora edulis nas Dislipidemias e Diabetes Induzidas”, publicado no Repositório Institucional UFC (Universidade Federal do Ceará), também analisou o efeito da farinha da casca de maracujá na redução do colesterol. Para o experimento, os pesquisadores utilizaram 18 camundongos machos, albinos e da variedade Swiss, dividindo-os em três grupos.

Esses grupos foram induzidos a dislipidemias (doença que causa alterações nos níveis de gordura no sangue) por meio da aplicação de frutose, Triton e uma ração hipercolesterolêmica (RH). A suplementação com farinha de casca de maracujá foi realizada em todos os grupos, e os resultados mostraram uma redução nos níveis de colesterol total e triglicerídeos, devido à presença de pectina.

Contudo, o seu uso não substitui bons hábitos de vida nem o tratamento e o acompanhamento médico.

7. Aumenta a imunidade

Apesar da pouca associação entre o maracujá e a imunidade, a fruta também fortalece as defesas do corpo. Isso porque ela é rica em vitamina C, que estimula a produção de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo contra infecções. Como contém antioxidantes, como flavonoides e carotenoides, ela ainda combate os radicais livres e reduz inflamações.

Como incluir o maracujá no dia a dia

O maracujá é versátil e pode ser consumido de diversas formas:

Cuidados importantes

É importante ressaltar que, mesmo contribuindo para uma alimentação equilibrada, o uso do maracujá não substitui tratamentos médicos ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Cada organismo reage de forma diferente e, em casos de condições específicas, é fundamental buscar orientação médica para garantir que seu consumo seja seguro e adequado.


Homicídios: A vida banalizada pela arma de fogo

Posted by: | Posted on: março 4, 2025

Casos como o do professor de capoeira Eduardo dos Santos, assassinado domingo, em São Paulo, após ter a moto roubada ou do ciclista Vitor Medrado, também vítima de assalto no último dia 13 de fevereiro, no Parque do Povo, no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, trazem à tona discussões sobre a insegurança popular em relação às forças de segurança e o uso de armas de fogo. Especialistas apontam que, diferente do que muitos pensam, quanto mais armas de fogo, mais crimes são cometidos.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e especialista em economia do crime e segurança pública, Daniel Cerqueira, avalia que, a partir de 2019, ocorreu um desmantelamento da legislação sobre armas de fogo. “No governo Bolsonaro, facilitou-se muito o acesso às armas de fogo pelos cidadãos. Esse movimento resultou em muitas mortes violentas por armas, o que já era esperado. É um verdadeiro consenso na literatura científica, que diz o seguinte: “Quanto mais armas, mais crimes, mais armas, mais violência letal”, expõe Cerqueira.

Segundo o Ipea, em 40 anos, o número de Ferimentos por Arma de Fogo (FAF) subiu 420% em todo o território nacional. A cada dia, 104 pessoas morrem por arma de fogo no Brasil. O Atlas da Violência de 2024, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontou que, em 2022, foram registrados 46.409 homicídios no país, sendo, 72,4% cometidos por armas de fogo.

Estudo do FBSP, intitulado Armas de fogo e homicídios no Brasil, aponta que “a difusão de armas de fogo não apenas representa um fator de risco para a sociedade, mas conspira contra a segurança dos próprios lares dos indivíduos que possuem tais artefatos, ao contrário do que pensa o senso comum”, diz o estudo.

O levantamento indica que a cada 1% de aumento na difusão de armas nas Unidades Federativas, a taxa de homicídio aumenta em 1,1%. A maior difusão de armas está também associada ao aumento de latrocínios. Segundo o estudo, a cada 1% de crescimento nas armas, a taxa de latrocínio aumenta 1,2%.

Segundo Cerqueira, existem quatro canais operativos que explicam a relação “mais armas, mais homicídios”. Para ele, o primeiro ponto diz respeito às armas em situações de brigas interpessoais. “As pesquisas mostram que, ao contrário do que os armamentistas dizem, cerca de um terço das mortes violentas no Brasil são ocasionadas por questões interpessoais, como aquela briga de bar”, explica.

“O primeiro elemento diz respeito à presença da arma de fogo em situações de conflitos. A pessoa que está com a arma de fogo se sente empoderada. Muitas vezes ela puxa aquela arma, às vezes o outro também está armado, e se torna uma tragédia”, comenta.

O segundo ponto diz respeito à presença da arma de fogo dentro de casa. “As pesquisas internacionais quantitativas dizem que a presença de armas de fogo dentro de casa representa um risco para o lar e para todos que ali moram. Nesse contexto, falamos de feminicídios, acidentes fatais envolvendo crianças, conflitos que envolvam a própria família e a arma de fogo ali representa um perigo”, argumenta.

De acordo com o pesquisador, o terceiro ponto vai na direção oposta da visão de que a arma é um instrumento de proteção. “A arma é, sobretudo, no ambiente urbano, um ótimo instrumento de ataque, mas é um péssimo instrumento de defesa. Em situações de roubo, por exemplo, o cidadão muito dificilmente vai ter a chance de perceber a situação e sacar a arma a tempo, além de ter um treinamento psicológico para usar essa arma. Às vezes, é meio segundo que determina a morte de uma pessoa”, explica.

“Uma pessoa armada na rua, por exemplo, quando é assaltada, a chance de vir a sofrer um latrocínio é 56% maior do que uma vítima que não estava armada”, completa.

Por último, Cerqueira explica que o maior desafio do mercado legal de armas são os desvios para o mercado ilegal. “O quarto canal diz respeito a quanto mais armas no mercado legal, mais armas serão, eventualmente, desviadas para o mercado ilegal. Se existe uma maior oferta de armas no mercado ilegal, significa que o preço da arma ilegal diminuiu diz.

O levantamento do FBSP mostra que, a partir de 2019, o Governo do então presidente Jair Bolsonaro publicou mais de 40 atos normativos e decretos que fragilizaram os mecanismos estabelecidos pela lei 10.826/03, também chamada de Estatuto do Desarmamento. “As mudanças promovidas implicaram na facilitação dos requisitos para aquisição de licenças, especialmente de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), ampliação do limite de armas para todas as categorias, entre outras”, diz o estudo.

O último Anuário Brasileiro de Segurança Pública do FBSP aponta que existem 2.088.048 registros de posse de arma ativos no SINARM/ PF, um aumento de 227,3% desde 2017. Além disso, 1.719.064 de armas de fogo têm o registro de posse expirado. Os dados mostram que 53,4% das armas registradas são pistolas e 8,6% são fuzis, rifles e carabinas, classificadas como armas mais potentes.

O estudo pontua, ainda, que o aumento da difusão de armas impediu a queda de crimes violentos letais. “Com base nesse cálculo aproximado, estimamos que, se não houvesse o aumento de armas de fogo em circulação a partir de 2019, teria havido 6.379 homicídios a menos no Brasil. Esse número equivale a todos os homicídios na Região Norte do País em 2021, ou a mais do que todos os homicídios nos estados da Região Sul neste ano”, diz no estudo.

No entanto, para o Deputado Federal Marcos Pollon (PL-MS) o Estado é ineficaz para proteger a vida das pessoas, em especial as mulheres. O deputado voltou a defender o incentivo à compra e porte de armas para mulheres vítimas de violência. “Na minha visão, as mulheres devem estar preparadas e treinadas para se defenderem desses monstros. Por isso, já apresentei matérias que incentivam ampliar o porte e posse de armas ao público feminino, principalmente, a quem esteja em medida protetiva”, disse o parlamentar.

“É preciso o respeito à pessoa que vive esse drama da ameaça, e, sobretudo, entender-se a gravidade do problema no Brasil. As instituições precisam ser mais efetivas, pois, infelizmente, a impunidade que impera hoje, garante que toda hora exista uma nova tragédia”, afirma Pollon. Pollon é responsável pelo movimento Pró Armas que luta pelo acesso civil às armas de fogo.

O Pró armas é movido pelo “grave cenário de desinformação e contaminações desarmamentistas que nos encontramos, após décadas de “campanhas” e “mentiras do desarmamento” movidas por milhares de dólares de ONGs internacionais que alimentam essa máquina de moer liberdades e garantias individuais percebemos que apenas informar não basta”, diz no site do movimento.

O Correio entrou em contato com o deputado Marcos Pallon e com o movimento Pró armas, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Para Cerqueira, o primeiro passo para frear os homicídios por arma de fogo e a insegurança pública são políticas públicas voltadas para o controle das armas.

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública pontou que, para lidar com o aumento da circulação de armas, o Governo Federal adota uma abordagem abrangente para reforçar o controle responsável sobre armas e munições. Em 1º de janeiro de 2023, foi assinado o Decreto 11.366, que suspendeu a concessão de novos registros até que uma nova regulamentação pudesse ser estudada, discutida e publicada. Além disso, o Decreto 11.615/2023 retomou o controle responsável de armas e munições, e estabeleceu normas mais rigorosas para a posse e o porte de armas, especialmente de uso restrito, como fuzis e outros armamentos de alta potência.

“Essas ações fazem parte do compromisso da gestão em garantir um controle rigoroso das armas em circulação no Brasil, além de atuar para aprimorar a segurança nas fronteiras”, diz a nota.

*Estagiária sob a supervisão de Edla Lula


Uberlândia é a cidade mais alfabetizada da região, segundo o Censo 2022; veja o ranking

Posted by: | Posted on: março 3, 2025

Uberlândia tem 566.051 pessoas alfabetizadas, o que corresponde a 97,13% da população.

Com a diferença de apenas 0,26%, o município é seguido de Uberaba com 96,87% de alfabetização.

Em terceiro no ranking está Araxá, com 96,79% da população alfabetizada.

Uberlândia é a cidade do Triângulo Mineiro com maior índice de alfabetização. De acordo com os dados do Censo 2022, divulgados pelos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 566.051 pessoas alfabetizadas na cidade, o que corresponde a 97,13% da população.

Com a diferença de apenas 0,26%, o município é seguido de Uberaba com 96,87% de alfabetização. Em terceiro no ranking está Araxá, com 96,79% da população alfabetizada.

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Consulte, no gráfico abaixo, a situação de alfabetização de seu município.

Ao retirar a lupa do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas e analisar a realidade brasileira como um todo, 11,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever uma carta simples – o equivalente a 7% da população nessa faixa etária.

As pessoas de cor ou raça branca e amarela, com 15 anos ou mais, tiveram as menores taxas de analfabetismo, 4,3% e 2,5%, respectivamente.

Já as pessoas de cor ou raça preta, parda e indígena do mesmo grupo etário, tiveram taxas de 10,1%, 8,8% e 16,1%, respectivamente.

Como o Censo funciona?

🤔 O que é o Censo? É uma pesquisa realizada pelo IBGE para coletar dados sobre a população brasileira. Ela permite traçar um perfil socioeconômico do país.

🚨 Por que ele é importante? O Censo identifica informações essenciais para a criação de políticas públicas. A partir delas, é possível direcionar os recursos financeiros da União para estados e municípios, como nas áreas de saúde, educação, habitação, transportes e energia.

📝Como os dados foram coletados? Foram três formas de participação: entrevista presencial (98,9% dos casos), por telefone (entrevistas feitas por recenseadores) ou preenchimento de formulário on-line.

O Censo entrevista os brasileiros na residência habitual, seja um lar particular, coletivo (asilos) ou improvisado (nas ruas, por exemplo).

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VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas


Imposto de Renda: veja o que fazer se empresa não enviou informe de rendimentos

Posted by: | Posted on: março 1, 2025

As empresas e as instituições financeiras precisavam entregar até esta sexta-feira (dia 28) os informes de rendimentos referentes ao ano de 2024 para seus funcionários e clientes. Os documentos costumam ser enviados por e-mail ou liberados digitalmente nos sites das empresas, como corretoras, bancos e operadoras de planos de saúde. Se nenhuma dessas vias foi divulgada, no entanto, o contribuinte ainda pode contar com a chance do informe ter sido entregue à Receita.

É possível acessar o Portal e-Cac e conferir, por lá, se há algum informe que você deixou de receber.

Os informes de rendimento servem como guias para o preenchimento das declarações de Imposto de Renda de 2025. Para trabalhadores, detalham informações de salários, eventuais bônus, comissões e participação nos lucros e resultados. Nos casos de clientes, todos os ganhos com aplicações financeiras, como juros sobre investimentos em renda fixa e o prejuízo (ou lucro) referente à ações.

Há outras empresas que também realizam a divulgação do informe, como operadoras de saúde (planos médicos e odontológicos), escolas e universidades, além daquelas que fazem a intermediação do aluguel de imóveis.

E se o documento não foi feito?

Caso o informe de rendimentos não tenha sido enviado sequer para a Receita, o contribuinte deve formalizar a situação através de um e-mail enviado para a empresa. E prosseguir com as informações que tiver para prestar contas ao Fisco, para não correr o risco de ser autuado por entrega em atraso. Retificações podem ser feitas posteriormente, se houver necessidade.

Se o funcionário não tiver retorno da empresa, após ter notificado a mesma por e-mail, ele pode proceder com uma denúncia formal para a Receita Federal, para que seja imposta à empresa multa pelo não fornecimento do documento. E fazer a denúncia ao sindicato de sua categoria profissional.

A empresa que não fornecer o informe de rendimentos dentro do prazo legal, último dia útil do mês de fevereiro, está sujeita à aplicação de multa. O mesmo acontece se houver inconformidade entre os dados apresentados no Informe e os declarados pelo contribuinte.


7 dicas para a inclusão de mulheres em empresas de tecnologia

Posted by: | Posted on: fevereiro 28, 2025

Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é fundamental reforçar a importância da igualdade de gênero e da inclusão feminina em setores historicamente dominados por homens, como o de tecnologia. Oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na década de 1970, a data simboliza a contínua luta das mulheres por direitos iguais e melhores condições de trabalho.

No Brasil, as mulheres representam 51,5% da população, aproximadamente 104,5 milhões de pessoas, segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar disso, sua participação no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) ainda é significativamente menor que a dos homens.

Conforme o “Relatório de Diversidade de Gênero no Setor de TIC”, publicado pela Brasscom, as mulheres ocupam 39% dos empregos no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), percentual inferior aos 44% registrados no mercado de trabalho geral.

Mais espaço feminino na tecnologia

Essa baixa representatividade reflete desafios estruturais que vão desde a falta de incentivo para que meninas sigam carreiras em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) até barreiras no mercado de trabalho, como desigualdade salarial, escassez de oportunidades de ascensão profissional e ambientes predominantemente masculinos.

“Embora ainda precisemos lutar, o mercado tecnológico é vasto, e há espaço e oportunidades para todas. A presença feminina tem crescido, e estamos conquistando cada vez mais reconhecimento pelo nosso talento e capacidade de inovação”, diz Juliana Amatte Bizão Temponi, Sales Operation da Keyrus, consultoria global de transformação digital.

Entretanto, segundo ela, é preciso continuar ocupando esses espaços com confiança, conhecimento e colaboração. “O setor precisa da nossa visão, e quanto mais mulheres estiverem inseridas, mais diversa, criativa e eficiente será a tecnologia do futuro”, afirma.

Iniciativas para equidade de gênero

Apesar dos desafios, o setor demonstra progresso. O relatório Diversidade de Gênero no setor TIC indica que, nos últimos três anos, a participação feminina cresceu 1,5 ponto percentual acima da masculina, impulsionada por um aumento de 1,8% entre analistas e 2,1% em funções técnicas de TI, P&D e Engenharia.

Diante desse cenário promissor, diversas organizações estão implementando iniciativas para promover a equidade de gênero no ambiente corporativo. A multinacional Keyrus, por exemplo, implementou a criação de um comitê de diversidade, responsável por identificar e aplicar práticas que garantam um ambiente de trabalho mais equitativo, e a criação de canais de denúncia, como o Speak Up Line, que asseguram a confidencialidade e o tratamento sério de casos de discriminação e assédio.

Além disso, muitas empresas têm investido na realização de palestras e capacitações para promover debates sobre equidade de gênero e incentivar mudanças culturais dentro das organizações. Programas de contratação voltados para mulheres desenvolvedoras também estão sendo adotados para equilibrar a representação de gênero em áreas técnicas.

“A diversidade é uma força propulsora de inovação e sucesso. É preciso garantir que cada pessoa, independentemente de gênero, origem ou identidade, tenha as mesmas oportunidades de crescimento e reconhecimento dentro de uma empresa de tecnologia”, afirma a People & Culture Manager da Keyrus, Dineia Vieira.

A presença feminina na tecnologia depende de ambientes mais inclusivos e acolhedores, e as empresas do setor têm um papel essencial nessa transformação (Imagem: Gorodenkoff | Shutterstock)

Criando ambientes mais inclusivos

As empresas de tecnologia têm um papel fundamental na construção de ambientes inclusivos e acolhedores para as mulheres. Diante desse cenário, as líderes da Keyrus selecionaram algumas dicas e ações importantes que podem ser adotadas. Veja a seguir!

As empresas devem garantir que seus processos de recrutamento e seleção sejam inclusivos, buscando ativamente atrair mulheres para posições técnicas e de liderança. Isso pode ser feito por meio de parcerias com organizações que incentivam o ingresso de mulheres na tecnologia, bem como por meio de programas específicos de recrutamento feminino.

Oferecer programas de mentoria e apoio que conectem mulheres com líderes e profissionais mais experientes pode ser uma forma eficaz de proporcionar a elas o suporte necessário para avançar em suas carreiras. A criação de redes de apoio e grupos de afinidade também pode ajudá-las a se sentirem mais seguras e confiantes no ambiente de trabalho.

Investir em programas de desenvolvimento profissional, como cursos técnicos e de liderança, especificamente direcionados às mulheres, é essencial para ajudá-las a superar possíveis lacunas de habilidades e garantir que tenham as mesmas oportunidades de crescimento que os homens.

Oferecer condições de trabalho flexíveis, como horários adaptáveis ou a possibilidade de home office, pode ajudar a lidar com os desafios relacionados ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, especialmente para mulheres que podem ter responsabilidades familiares. Empresas que promovem esse tipo de flexibilidade tendem a criar um ambiente mais inclusivo e acolhedor.

É fundamental que as empresas criem políticas claras contra assédio e discriminação de gênero, garantindo que qualquer incidente seja tratado com seriedade e que as mulheres se sintam seguras para se expressar e denunciar situações de abuso ou preconceito sem medo de retaliação.

Promover uma cultura organizacional que celebre a diversidade e a inclusão, em que as mulheres se sintam valorizadas e ouvidas, é essencial. Isso pode ser feito por meio de treinamentos sobre conscientização de gênero, a criação de grupos de discussão sobre diversidade e a implementação de práticas que reforcem a igualdade no dia a dia da empresa.

Uma pesquisa da FIA Business School revelou que mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil. No entanto, dados específicos sobre liderança feminina no setor de tecnologia ainda são escassos. Para mudar esse cenário, em 2022, foi lançada a Coalizão de Ação sobre Tecnologia e Inovação no Fórum de Igualdade de Geração. A meta é dobrar a participação feminina na tecnologia até 2026, garantindo um papel mais ativo das mulheres na inovação e na solução de desafios globais.

Ter mulheres em posições de liderança serve como exemplo e inspiração para outras mulheres dentro da empresa. As organizações devem trabalhar para aumentar a representatividade feminina em cargos de liderança, além de assegurar que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de crescimento profissional que seus colegas homens.

Por um futuro mais diverso para elas

Embora a presença feminina na tecnologia esteja crescendo, ainda há muito a ser feito. Investir na formação de meninas em STEM, fortalecer programas de liderança feminina e promover ambientes corporativos mais inclusivos são passos fundamentais para transformar o setor e garantir um futuro mais igualitário.

“Meu conselho para as jovens que estão em dúvida sobre ingressar no setor, eu diria: ‘venha’. A tecnologia é uma área dinâmica e cheia de oportunidades. Por isso, confiem em vocês mesmas, sejam curiosas, mantenham-se atualizadas e nunca parem de aprender. O mundo precisa de mais mulheres na tecnologia e nos times de dados. A jornada pode ser desafiadora, mas é também uma das mais empoderadoras que você pode escolher”, afirma Marileusa Cortez, Data Governance Manager da Keyrus.

Dineia Vieira complementa: “A área de tecnologia é extremamente diversificada e oferece oportunidades em várias vertentes, desde o desenvolvimento até a gestão e inovação. O mais importante é ter coragem para aprender, explorar novas habilidades e se envolver em projetos práticos. A tecnologia está em constante evolução, por isso, é essencial se manter atualizada, seja através de cursos, bootcamps ou mentorias. Conecte-se também com outras mulheres e profissionais da área, pois a troca de experiências pode ser enriquecedora e motivadora”, finaliza.

Por Letícia Carvalho


Petrobras: veja o que mais desagradou os investidores no balanço de 2024 da estatal, que derreteu na Bolsa

Posted by: | Posted on: fevereiro 28, 2025

Depois de frustrar investidores com uma queda de 70,6% do lucro — que somou R$ 36,6 bilhões em 2024 — e o anúncio de dividendos em volume inferior ao previsto pelo mercado, as ações da Petrobras tiveram forte queda ontem e afetaram o desempenho da Bolsa, que fechou quase estável, com alta de 0,02%.

Os papéis ordinários (com direito a voto) da estatal recuaram 5,56%, na maior desvalorização desde maio do ano passado, cotados a R$ 39,24. Foram também a maior queda ontem do Ibovespa, índice de referência dos investidores.

Com a reação ao primeiro desempenho anual da gestão de Magda Chambriard, o valor de mercado da petroleira encolheu em R$ 24,5 bilhões, para R$ 491,4 bilhões, o maior recuo desde dezembro.

Os papéis iniciaram o dia em baixa, com investidores repercutindo o pagamento de R$ 9,1 bilhões em dividendos do quarto trimestre. As expectativas giravam em torno de R$ 11 bilhões a R$ 17 bilhões. No pior momento do pregão, as ações da Petrobras chegaram a cair 9%. A reação negativa também foi vista nos recibos de ações da Petrobras negociados em Nova York (ADRs), que recuaram 5,66%.

‘Sinal de alerta’

Além da perspectiva de ganho menor para o acionista, a estatal sofreu outro revés com o relatório de técnicos do Ibama rejeitando a licença para pesquisa na Margem Equatorial, mas a decisão final é do presidente do órgão.

Em conferência com analistas, a presidente da Petrobras destacou que a estatal enfrentou um 2024 desafiador e que entende a frustração do mercado com a distribuição de dividendos a curto prazo.

Em relatório, o Citi afirmou que a reação negativa veio do anúncio de dividendos ordinários fracos no trimestre. Nos últimos anos, a Petrobras se firmou como boa pagadora de dividendos, e isso atraiu investidores para o papel.

Analistas do BTG Pactual afirmaram que “um sinal de alerta” foi aceso pela possibilidade de uma guinada na alocação de capital da empresa diante do histórico de interferência política, mas o próprio banco afirma que há pouca probabilidade de isso acontecer e vê o “momento de pânico” como boa oportunidade de investir na ação.

Já o Goldman Sachs destaca em relatório que “o acionista controlador da Petrobras tem se manifestado sobre a necessidade de usar a empresa para acelerar o crescimento do PIB.”

‘Óleo no bolso mais rápido’

Os resultados divulgados na quarta-feira mostram que a empresa teve queda de 3,8% na produção, puxada pelas paradas para manutenção em campos do pré-sal e pelo declínio natural dos campos do pós-sal, com queda de 20%.

Chamou a atenção o recuo de 1,4% no volume de vendas no mercado interno, para 1,719 milhão de barris por dia. O resultado foi influenciado pela queda de 4,1% na gasolina e pela retração de 2,8% no diesel.

Ontem, ao comentar o desempenho, Magda explicou que a estratégia é ampliar a produção, com aumento dos investimentos através da antecipação da entrada de plataformas de produção. Ela citou o Campo de Búzios, que tem perspectiva de chegar a 2 milhões de barris por dia em 2030. Hoje, produz 800 mil barris diários e deve atingir 1 milhão este ano.

— Entendemos a frustração do mercado com os dividendos de curto prazo, mas antecipar o investimento em Búzios é tudo que o investidor pode querer. O que estamos oferecendo é óleo no bolso mais rapidamente — disse Magda. — Estamos focados em antecipar investimentos. E foi isso que fizemos.

No ano passado, a estatal investiu US$ 16,5 bilhões. Para este ano, a previsão é de US$ 18,5 bilhões, com variação de 10% para cima ou para baixo. Magda disse que, se possível, pretende antecipar investimentos de 2026 para este ano.

A presidente da estatal citou a antecipação da nova unidade no Parque das Baleias, na Bacia de Campos. Prevista para este ano, entrou em operação em outubro de 2024. E a antecipação de outras unidades, como no Campo de Mero, na Bacia de Santos.

— Enfrentamos o desafio do crescimento da produção. E o que estamos apresentando é o crescimento da produção e das reservas. Repor reserva é fundamental para a Petrobras manter sua relevância. Por isso, entendemos como revelante, essencial e importante a exploração da Margem Equatorial de forma responsável. É uma área que entendemos ter alto potencial — afirmou Magda a analistas.

Analistas apontaram a alta do dólar e a queda do preço do petróleo como fatores para o resultado da empresa, que teve prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre. Magda afirmou que o dólar foi o principal responsável pela perda de outubro a dezembro.

Segundo ela, o lucro menor deveu-se a uma questão contábil, referente à variação cambial das dívidas entre a estatal e subsidiárias no exterior.

Na prática, embora tenha receitas em dólar, a Petrobras tem dívidas na moeda americana. Quando esta sobe, há impacto no valor a ser provisionado para pagamento. Sem isso, a empresa diz que o lucro líquido anual teria sido de R$ 103 bilhões.

A divida líquida subiu 16,9%, a US$ 52,240 bilhões.

O equilíbrio entre pagamento de dividendos e investimento foi a tônica das avaliações do mercado ontem.

Para Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Investimentos, a entrevista de Magda jogou luz sobre os futuros investimentos e contribuiu para frear a queda dos papéis:

— Anteciparam algum investimento para o campo de Búzios e isso trouxe um alívio (na queda das ações), porque ajuda a aumentar a produção para 2025.


Governo central registra superavit de R$ 84,8 bilhões em janeiro, segundo Tesouro

Posted by: | Posted on: fevereiro 27, 2025

No primeiro mês de 2025, o resultado primário do Governo Central foi superavitário em R$ 84,9 bilhões, registrando um aumento na comparação com janeiro do ano anterior, quando o resultado foi positivo em R$ 79,5 bilhões, a preços correntes. No mesmo período, a receita líquida registrou avanço, em termos reais, de R$ 9,1 bilhões (3,7%), ao passo em que a despesa total teve um aumento de R$ 7,3 bilhões (4,4%), se comparada a janeiro de 2024.

Já o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central também foi de superavit, desta vez de R$ 104,5 bilhões, ao mesmo tempo em que a Previdência Social (RGPS) registrou deficit de R$ 19,6 bilhões. Na comparação com janeiro de 2024, o resultado primário observado foi causado pelo acréscimo real de 3,7% (R$ 9,1 bilhões) da receita líquida e de aumento em 4,4% (R$ 7,3 bilhões) das despesas totais.

O acréscimo real da receita líquida no primeiro mês do ano, de acordo com o Tesouro, foi resultado da combinação do aumento real de 5,6% das Receitas Administradas pela Receita Federal em 5,6% (R$ 11,5 bilhões), além de quedas de 2,5% das Receitas Não Administradas (-R$ 743,7 milhões) e de 0,9% na Arrecadação Líquida para a Previdência Social (-R$ 479,6 milhões).

Os principais destaques em relação Às receitas administradas se devem ao superavit de R$ 3,0 bilhões do Imposto de Importação, além de resultados positivos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (R$ 2,2 bilhões) e do Imposto de Renda (R$ 2,9 bilhões). Já nas receitas Não Administradas, a Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor, que teve um desemprenho negativo de R$ 1,1 bilhão foi o principal item que impactou o grupo de receitas.

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (27/2), em coletiva no Ministério da Fazenda. A secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Silva Varga, destacou que o desemprenho é o melhor resultado nominal para janeiro de toda a série histórica.

Já pelo lado dos gastos, os principais responsáveis pelo aumento das despesas foram o acréscimo de R$ 836,6 milhões no apoio financeiro a estados e municípios, além de benefícios previdenciários (+R$ 1,7 bilhão) e os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) (+R$ 1,3 bilhão). Também houve aumento de R$ 2,0 bilhões com o Fundef/Fundeb.

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“Nas Despesas do Poder Executivo sujeitas à programação financeira, houve um acréscimo de R$ 1,7 bilhão das Despesas Obrigatórias com Controle de Fluxo, com ênfase na função Saúde (+R$ 2,4 bilhões), e de R$ 1,7 bilhão nas Despesas Discricionárias, principalmente no item Demais Despesas (+R$ 1,5 bilhão)”, complementa, em nota, o Tesouro.


Censo 2022: DF lidera nível de escolaridade, mas desigualdades persistem no Brasil

Posted by: | Posted on: fevereiro 27, 2025

Os dados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26/2), evidenciam uma evolução nos indicadores educacionais do Brasil nas últimas duas décadas. No entanto, disparidades regionais e sociais ainda são marcantes. O Centro-Oeste, em especial, o Distrito Federal, mantém-se como referência educacional no país, enquanto estados do Norte e do Nordeste ainda enfrentam desafios para elevar o nível de instrução da população.

A pesquisa aponta que, em 2022, 18,4% da população brasileira com 25 anos ou mais possuía ensino superior completo, um avanço considerável em relação aos 6,8% registrados no ano 2000. O DF lidera o ranking, com 37% da população nessa faixa etária com nível superior, seguido por São Paulo, que registra 23,3%. Já o Maranhão ocupa a última posição, com 11,1%.

No mesmo sentido, a proporção de pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto caiu de 63,2% para 35,2% no mesmo período no país. O DF também registrou a menor proporção de pessoas com 25 anos ou mais “sem instrução e com fundamental incompleto”, com 19,2%, sendo o maior índice no Piauí, com 49,1%.

“Se olharmos o grupo de 25 anos ou mais de idade, podemos observar que a proporção de pessoas com ensino superior completo quase que triplicou nos últimos 20 anos. No ano de 2000, esse percentual era de 6,8%, e em 2022, passou para 18,4%. Por outro lado, o percentual de pessoas sem instrução ou fundamental incompleto, quase que reduziu pela metade. Nos dados de 2000, esse percentual era de 63,2%, e passou para 35,2% agora em 2022”, explica Juliana Queiroz, analista da divulgação do IBGE, em áudio publicado pelo portal.

De acordo com o Censo, Brasil alcançou uma média de 9,6 anos de estudo entre pessoas com 25 anos ou mais. Entre as unidades da Federação, o DF se sobressai com a maior média do país, chegando a 11,8 anos, enquanto o Piauí registra o menor valor, com apenas 7,9 anos. Entre os municípios, São Caetano do Sul, em São Paulo, lidera o ranking com 12,7 anos, enquanto Breves, no Pará, apresenta a menor média, com 6,5 anos. A diferença também é perceptível entre os sexos: as mulheres apresentam média de 9,8 anos de estudo, superior aos 9,3 anos dos homens. Essa vantagem feminina é mais expressiva até os 49 anos, mas declina a partir dos 50.

Os dados também mostram um aumento expressivo da presença de pretos e pardos no ensino superior: em 2022, 25,8% dos brancos com 25 anos ou mais possuíam diploma universitário, enquanto, entre os pardos, essa taxa foi de 12,3% e entre os pretos, 11,7%. Cursos como medicina, odontologia e economia apresentam maior concentração de pessoas brancas, cerca de 75%, enquanto Serviço Social se destaca por ter maioria preta e parda, totalizando mais de 50% dos formados na área.

“A primeira observação que a gente pode fazer é notar que brancos, pretos e pardos tiveram um avanço no percentual da sua população com ensino superior completo. A proporção de pretos e pardos de 25 anos ou mais com ensino superior no Brasil quintuplicou nos últimos 20 anos. No entanto, ainda observamos uma desigualdade entre brancos, pretos e pardos. 2022, 1/4 da população branca tinha ensino superior completo. Isso é mais do que o dobro da proporção entre pretos com 11,7 e pardos com 12,3”, esclarece Juliana.

O número de anos de estudo é calculado pelas informações da série e nível ou grau que a pessoa estava frequentando ou havia concluído. Para o ensino fundamental completo, foram considerados 9 anos de estudo; ensino médio completo, 12 anos, e ensino superior completo, 16. Especializações de nível superior, como mestrado e doutorado, não adicionam anos de estudo à metodologia aplicada, sendo 16 anos o valor máximo.

A graduação em gestão e administração foi a mais concluída no Brasil, seguida por formação de professores sem áreas específicas e direito. No DF, há um destaque para a área da saúde: há um graduado em medicina para cada 186,9 habitantes, enquanto, no Maranhão, essa relação é cinco vezes maior, com 921,7 habitantes por médico formado.

A pesquisa também revelou o domínio feminino em cursos voltados para o cuidado, como serviço social, em que 93% dos graduados são mulheres, Enfermagem, com 86,3%, e formação de professores, em que elas representam 92,8% dos egressos. Em contrapartida, os homens são maioria em cursos de exatas, como engenharia mecânica e metalurgia, com 92,6% dos concluintes.

“Nós podemos observar a diferença interessante quando analisamos a distribuição por cor raça dentro de diferentes cursos de graduação. Medicina, por exemplo, destaca porque o maior percentual de pessoas declara por cor raça branca, com 75,5%. Economia e odontologia tem um resultado semelhante com cerca de 75% das pessoas com graduação concluída nessas áreas que se declaram branco. No extremo Oeste, o serviço social aparece uma área com maior percentual de pessoas pretas e pardas, que totalizam mais de 50%”, pontua Juliana.

A taxa de frequência escolar aumentou em todas as faixas etárias, com destaque para a educação infantil. Entre crianças de 0 a 3 anos, a taxa subiu para 33,9% em 2022, um aumento de 24 pontos percentuais desde 2000. Ou seja, 33,9% das pessoas de 0 a 3 anos frequentava creche ou pré-escola. Já no grupo de 4 a 5 anos, a frequência atingiu 36,7%. Entre jovens de 6 a 14 anos, o índice chega a 98,3%, mas cai para 85,3% na faixa de 15 a 17 anos, e despenca para 27,7% entre jovens de 18 a 24 anos, evidenciando desafios na continuidade dos estudos.

“Esses primeiros dados indicam uma aproximação da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que é de uma frequência de 50% para esse grupo etário. Entre o grupo de 4 a 5 anos, a taxa de frequência escolar bruta foi de 36,7%, o que indica um aumento de mais de 35% em relação aos anos de 2000. E também, tendo uma aproximação para a universalização do ensino nessa faixa etária”, diz a representante.

Para Juliana, quando se compara a taxa de frequência escolar bruta nas grandes regiões do país, é possível observar diferenças importantes. “O Norte apresenta a menor taxa de frequência em todos os grupos etários, exceto do último 18 a 24 anos. Nas idades iniciais de 0 a 3 anos e de 4 a 5 anos, é onde podemos encontrar a maior variação na taxa de frequência entre as grandes regiões do país”, destaca.

“Quando observamos o número médio de anos de estudo por sexo no Brasil, podemos notar uma vantagem das mulheres em relação aos homens. Essa vantagem é mais expressiva até a faixa de 50 a 54 anos. A partir daí, essa vantagem vai declinando até que na última fase, de 80 anos ou mais. Os homens aparecem com uma leve vantagem de 0,1 anos em relação às mulheres”, conclui Juliana.