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9 alimentos para o café da manhã para ganhar massa muscular

Posted by: | Posted on: março 16, 2025

O café da manhã desempenha um papel fundamental após o longo período de jejum durante o sono, fornecendo ao corpo a energia e os nutrientes necessários. O ganho de massa muscular está diretamente relacionado ao equilíbrio de energia, ingestão adequada de proteínas e nutrientes, juntamente com o treinamento físico regular.

Para garantir um bom desempenho durante a atividade física, a refeição deve ser composta por alimentos que aumentem a força e a resistência muscular, saciando a fome e evitando o catabolismo proteico, quebra de proteínas em aminoácidos, responsável pela perda de massa muscular, fadiga e desânimo.

Para isso, no café da manhã, você pode combinar alimentos para garantir uma refeição equilibrada que auxilia no ganho de massa muscular. Abaixo, confira algumas opções!

1. Aveia

A aveia é uma boa fonte de vitaminas do complexo B, ferro, magnésio e zinco, que desempenham papéis importantes no metabolismo energético e na saúde muscular. Pela facilidade de combinação com outros alimentos, incluí-la no café da manhã pode ser uma estratégia eficaz para o desenvolvimento dos músculos. Além disso, ela auxilia o fortalecimento do sistema imunológico, a melhora da digestão, devido ao seu alto teor de fibra, e a regulação dos níveis de colesterol.

2. Leite

De acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) até o ano de 2023, o consumo de leite e seus derivados no Brasil era de 183 litros/habitante ao ano, acima da média mundial de 116 litros per capita/habitante ao ano.

O consumo de leite no café da manhã pode ser um aliado no ganho de massa muscular devido ao seu alto teor de proteínas de alta qualidade, especialmente a caseína e o soro do leite (whey). Essas proteínas fornecem aminoácidos essenciais para a recuperação e o crescimento dos músculos, especialmente após o jejum noturno. Além disso, o leite é rico em cálcio, um mineral importante para a contração muscular e a saúde óssea, e contém carboidratos que fornecem energia para os treinos.

A batata-doce é rica em carboidratos complexos que favorecem a liberação contínua de energia ao longo do dia (Imagem: 1981 Rustic Studio kan | Shutterstock)

3. Batata-doce

A batata-doce é um excelente alimento para incluir no café da manhã, especialmente para quem busca o ganho de massa muscular. Isso se deve ao seu alto teor de carboidratos complexos, que são digeridos lentamente pelo corpo, fornecendo uma liberação contínua de energia ao longo do dia. Além disso, é rica em vitaminas A, B, C, E e minerais essenciais para a recuperação e o crescimento muscular, como o potássio, que ajuda a evitar cãibras e melhora a função muscular.

4. Banana

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de consumo de banana é de 25 quilos por ano para cada brasileiro. Quando consumida no café da manhã, ela pode favorecer o ganho de massa muscular por ser uma excelente fonte de carboidratos, que fornecem energia para os treinos e evitam a degradação muscular.

Além disso, contém potássio, um mineral essencial para a contração muscular e a prevenção de cãibras, o que melhora o desempenho durante os exercícios. A fruta também possui fibras que ajudam na digestão e na absorção de nutrientes, além de conter vitaminas do complexo B, que auxiliam no metabolismo das proteínas e na recuperação muscular.

5. Abacate

Além de saboroso, uma porção média de abacate contém 58 mg de magnésio, o que representa 14% do valor diário recomendado. Ademais, é rico em potássio, vitaminas do complexo B e vitamina K. Também é conhecido por ser uma fonte de gordura boa, benéfica para a saúde do coração.

6. Iogurte natural

O iogurte natural é uma ótima opção para a primeira refeição do dia, com uma quantidade alta e concentrada de proteínas e baixo teor de gordura. Ele repara o tecido muscular danificado durante o exercício e fortalece os ossos, melhorando a mobilidade e prevenindo traumas. Juntá-lo a frutas, granolas e nozes potencializa o seu valor nutricional.

O ovo possui todos os aminoácidos essenciais para a reparação e crescimento muscular (Imagem: New Africa | Shutterstock)

7. Ovos

O ovo é uma das melhores fontes de proteína. Possui todos os aminoácidos essenciais para a reparação e crescimento muscular. Além disso, é uma fonte de vitamina D e B12, riboflavina e selênio, que desempenham papéis importantes no metabolismo energético e na saúde muscular. A clara do alimento, por exemplo, é alvo de estudos e já demonstrou ser eficaz no aumento de massa muscular.

A pesquisa “Dietary egg-white protein increases body protein mass and reduces body fat mass through an acceleration of hepatic β-oxidation in rats“, publicada no British Journal of Nutrition, aponta que a proteína presente na clara do ovo (EWP) aumenta a massa proteica e reduz a gordura corporal. No estudo, ratos machos com 4 semanas de idade foram alimentados com dietas contendo 20% de EWP ou caseína (proteína do leite) por 28 dias.

Os resultados mostraram que os níveis de proteína da carcaça e os pesos dos músculos gastrocnêmios (localizados na parte posterior da perna, abaixo da panturrilha) no grupo EWP foram significativamente maiores do que no grupo caseína. Além disso, os pesos da gordura abdominal no grupo EWP também foram significativamente menores.

8. Chia

Embora seu efeito seja mais indireto, a chia pode contribuir para o aumento da massa muscular. Isso porque essa semente é uma rica fonte de proteínas, fibras, ácidos graxos ômega 3 e minerais como cálcio, magnésio e fósforo, que são essenciais para o funcionamento adequado dos músculos. Para adicioná-la ao café da manhã, basta incluí-la em smoothies, iogurtes ou aveia.

9. Queijo cottage

O queijo cottage é rico em proteínas fundamentais para o reparo e crescimento muscular, como a caseína, uma proteína de digestão lenta que favorece a saciedade. Além disso, é fonte de cálcio, essencial para a saúde óssea, e vitaminas do complexo B, que auxiliam na produção de energia, ajudando o corpo a ter disposição para os treinos e a recuperar os músculos após as atividades físicas.


Vendas do varejo recuam 0,1% em janeiro, aponta IBGE

Posted by: | Posted on: março 14, 2025

O volume de vendas do comércio varejista recuaram 0,1% em janeiro, na comparação com o mês anterior, em sua terceira taxa negativa consecutiva. Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta sexta-feira (14/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com janeiro do ano passado, as vendas cresceram 3,1%.

O dado veio melhor do que o esperado pelo mercado, que contava com uma queda mais acentuada do indicador. Quatro das oito atividades do comércio varejista tiveram taxas positivas, e as outras quatro apresentaram retração no volume de vendas.

Para Cristiano dos Santos, gerente da pesquisa, a interpretação dos resultados nos últimos meses é de estabilidade. “Temos que lembrar que o máximo da série histórica da margem está em outubro de 2024. Após atingir esse nível recorde em outubro, o comércio seguiu tendo variações muito próximas de zero, ocasionando esse fenômeno de estabilidade na alta”, afirma.

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Pelo lado das altas, o maior destaque foi dos equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com um avanço de 5,3%, seguido por combustíveis e lubrificantes, de 1,2%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico e livros, jornais, revistas e papelaria também ficaram no campo positivo.

Por outro lado, a maior retração do mês foi dos artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, uma queda de 3,4%. Tecidos, vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos, e supermercados e produtos alimentícios também registraram variação negativa.

No comércio varejista ampliado, veículos, motos, partes e peças cresceu 4,8% no mês, material de construção teve alta de 3,0%. Já as vendas do setor de atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo recuaram 10,4% em comparação a janeiro do ano passado.


CMO aprova crédito extraordinário de R$ 500 milhões para despesas com o RS

Posted by: | Posted on: março 11, 2025

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, na tarde desta terça-feira (11/3), duas medidas provisórias que garantem, ao todo, um crédito extraordinário de R$ 501,2 milhões para o governo. O montante tem como objetivo custear reparos em estruturas ligadas aos ministérios que foram danificadas durante as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024.

Os recursos foram pedidos pelo governo ainda em outubro e novembro do ano passado, quando o Executivo argumentou que os reflexos da calamidade pública ainda eram visíveis. As MPs ficaram cerca de quatro e cinco meses aguardando a deliberação dos deputados e senadores da comissão.

Do total, são R$ 118 milhões para a recuperação de estruturas, como a da Defensoria Pública da União (DPU) em Porto Alegre (RS), e a superintendência estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Há, ainda, parte destinada à promoção dos direitos humanos para as vítimas da calamidade no estado e a realização de estudos para evitar novos desastres como o de 2024. Outros R$ 383 milhões foram para ações de proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

Antes da reunião da CMO, deputados e senadores da comissão se encontraram em uma sala reservada para tratar da votação do orçamento, que está atrasada. Pelo que prevê a Constituição, o Orçamento da União deve ser votado até dezembro do ano anterior.

Os parlamentares pausaram a reunião para iniciar a sessão da CMO e votar as duas MPs que estavam na pauta, mas voltaram a se reunir na sequência, desta vez com o relator do Orçamento, senador Angelo Coronel (PSD-BA).

A previsão é de que os parlamentares votem o relatório da Lei Orçamentária Anual (LOA) até 18 de março. O texto deve ser votado no Plenário do Congresso Nacional no dia seguinte, em 19 de março.


Fase de testes da Reforma Tributária gera incertezas

Posted by: | Posted on: março 10, 2025

O ano de 2025 será decisivo para a adequação das empresas às mudanças da Reforma Tributária. Faltando dez meses para o início da fase de testes, adaptação ao novo regime tem preocupado contadores e tributaristas, visto que cerca de 6 milhões de empreendimentos têm apenas este ano para seus processos e a gestão de documentos fiscais às novas regras.

A mudança estrutural visa simplificar o sistema de arrecadação e criar um modelo mais eficiente e justo para todos os setores da economia. Entretanto, para que essa modernização se torne realidade, é indispensável um ambiente tecnológico robusto, mapeado por especialistas como um dos grandes desafios neste momento.

O novo modelo de tributação sobre o consumo passará por um período de testes e de transição a partir de 2026. A alteração completa do sistema tributário nacional só se dará em 2033, quando serão definitivamente extintos os atuais ICMS e ISS.

Ao longo desse período serão testados e entrarão em vigor os novos tributos criados pela Reforma Tributária: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual — que compreende a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), partilhado entre estados, DF e municípios — e o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

ECO-Tributaria

Segundo o tributarista Carlos Eduardo Navarro, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio de Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, há três grandes pilares com os quais as empresas devem se preocupar neste ano, o primeiro deles é a Tecnologia da Informação (TI).

“Todos os ajustes sistêmicos competem a esta área, para que os documentos fiscais e as obrigações acessórias, em seguida, reflitam nos novos tributos já a partir da alíquota teste que vai ser colocada em 2026. Então, haverá um grande trabalho relacionado à área de TI, já está havendo na verdade”, destaca. “Toda essa parte de TI, em princípio, tem que ser finalizada ao longo de 2025, para já funcionar perfeitamente em janeiro de 2026”, afirma.

O segundo grande pilar, de acordo com Navarro, são as negociações de preços e contratos, especialmente entre empresas, o chamado B2B — sigla para business to business, de negócio para negócio. “A reforma impacta de maneira diferente produtos, serviços, setores, diferentes setores. Então, sem dúvida, há aqueles que vão experimentar um aumento de carga tributária e há aqueles que vão experimentar uma redução de carga tributária. Portanto, as empresas devem negociar, especialmente seus contratos de longo prazo.”

Em terceiro lugar estão os cálculos prévios relativos aos impactos da reforma, “para poder antecipar ou subsidiar as negociações”. “Uma empresa que está decidindo abrir uma filial, por exemplo, precisa revisitar a malha logística, empresas que têm incentivos fiscais. Então, são várias as necessidades em torno do cálculo de impacto da Reforma Tributária para aquela empresa e para os bens e serviços que são comercializados por aquela empresa”, aponta o advogado.

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), junto à Receita Federal, está trabalhando na “Plataforma da Reforma Tributária”, que visa criar um portal único para os contribuintes, facilitando o acesso e a compreensão da CBS e do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), promovendo maior justiça tributária e eficiência administrativa.

Previsto para entrar em operação apenas no próximo ano, o sistema deve garantir não só a automação dos processos e a integração dos tributos, mas também proporcionar um ambiente mais transparente e seguro para a arrecadação fiscal.

A plataforma, vista como essencial para o período de transição, deve operar na Nuvem de Governo, a única nuvem soberana do Brasil. Isso garante que os dados fiscais permaneçam protegidos e sob controle estatal, assegurando a integridade e a confiabilidade do novo sistema tributário.

Antes do processo de implementação total da Reforma Tributária, previsto para 2033, durante o período de transição, haverá uma época em que valerão os dois regimes tributários concomitantes, o que apresenta um enorme desafio, conforme destaca Rafael Balanin, sócio da área tributária do escritório Gasparini, Nogueira de Lima, Barbosa e Freire Advogados.

“A implementação do novo sistema prevê um período longo de convivência entre os modelos antigo e novo. Portanto, muito provavelmente teremos obrigações antigas e novas convivendo dentro dos departamentos tributários das empresas”, diz.

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“Nesse cenário, as equipes tributárias das empresas terão de lidar não apenas com as obrigações já existentes, como também deverão se atualizar quanto às novidades decorrentes da reforma, sem perder de vista a necessidade de manutenção de ambos os sistemas durante o período de transição. Certamente, esse momento será desafiador”, acrescenta.

A falta de clareza com alguns pontos do novo regime tributário também é visto como um empecilho para que as empresas, estados e municípios possam se preparar a partir deste ano. A principal razão, de acordo com Balanin, são as regras que ainda estão no Projeto de Lei Complementar (PLP) 108, em tramitação no Congresso.

O texto detalha a estrutura e as atribuições do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS). Por meio dele é que será definida a fiscalização, o contencioso e o funcionamento do comitê gestor. “Eu diria que ainda há uma grande falta de clareza em tudo isso”, ressalta.

“Ainda são necessárias muitas definições sobre as novas obrigações acessórias, ou adaptação das existentes, sobre as alíquotas-base de cada um dos novos tributos, entre outros detalhes importantes para o regular exercício da atividade empresarial”, lembra o advogado. “Isso sem falar na aprovação do projeto de lei que estabelece o regramento do Comitê Gestor do IBS, órgão fundamental para a solução de conflitos e gestão do IBS em âmbito nacional”, emenda

A judicialização é outro fator de risco no radar dos tributaristas no momento. De acordo com Carlos Eduardo Navarro, a maior chance de que isso aconteça é em casos de bitributação, que ocorre quando dois entes tributantes cobram dois tributos sobre o mesmo fato gerador. “Há tributos que não serão excluídos e que devem continuar em algumas situações, incidindo junto com os novos tributos. É o caso basicamente do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para as instituições financeiras, para o mercado financeiro em geral e também para seguros”, explica.

“O IOF, me parece que deveria ter sido, sim, substituído pelos novos tributos, justamente para evitar essa bitributação, e também o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), no setor imobiliário. Esses são casos que me parecem casos de bitributação que vão ser objeto de judicialização muito em breve”, avalia.

Apesar do tempo de adaptação parecer longo, o advogado tributarista Lucas Ribeiro, CEO da ROIT e um dos coordenadores do Curso de Implementação da Reforma Tributária da Trevisan Escola de Negócios, alerta para a necessidade de um planejamento estratégico desde já. “No período de transição vão ocorrer mudanças, ainda há um longo período, mas o que sabemos até aqui é mais do que suficiente para implementar a Reforma Tributária”, frisa.

Ribeiro ainda aconselha negociações antecipadas com os fornecedores, pois produtos ficarão mais caros, cabendo uma avaliação de formação de estoque ou compra antecipada, por exemplo. Segundo ele, algo que praticamente todas as empresas terão a necessidade de fazer é o aumento de caixa. “Como o Fisco sempre receberá antes — seja o CBS, no caso da Receita Federal, ou o IBS, no caso dos estados e municípios —, as empresas terão necessidade de capital de giro para fazerem o pagamento”, afirma.


Fase de testes da Reforma Tributária gera incertezas

Posted by: | Posted on: março 10, 2025

O ano de 2025 será decisivo para a adequação das empresas às mudanças da Reforma Tributária. Faltando dez meses para o início da fase de testes, adaptação ao novo regime tem preocupado contadores e tributaristas, visto que cerca de 6 milhões de empreendimentos têm apenas este ano para seus processos e a gestão de documentos fiscais às novas regras.

A mudança estrutural visa simplificar o sistema de arrecadação e criar um modelo mais eficiente e justo para todos os setores da economia. Entretanto, para que essa modernização se torne realidade, é indispensável um ambiente tecnológico robusto, mapeado por especialistas como um dos grandes desafios neste momento.

O novo modelo de tributação sobre o consumo passará por um período de testes e de transição a partir de 2026. A alteração completa do sistema tributário nacional só se dará em 2033, quando serão definitivamente extintos os atuais ICMS e ISS.

Ao longo desse período serão testados e entrarão em vigor os novos tributos criados pela Reforma Tributária: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual — que compreende a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), partilhado entre estados, DF e municípios — e o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

ECO-Tributaria

Segundo o tributarista Carlos Eduardo Navarro, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio de Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, há três grandes pilares com os quais as empresas devem se preocupar neste ano, o primeiro deles é a Tecnologia da Informação (TI).

“Todos os ajustes sistêmicos competem a esta área, para que os documentos fiscais e as obrigações acessórias, em seguida, reflitam nos novos tributos já a partir da alíquota teste que vai ser colocada em 2026. Então, haverá um grande trabalho relacionado à área de TI, já está havendo na verdade”, destaca. “Toda essa parte de TI, em princípio, tem que ser finalizada ao longo de 2025, para já funcionar perfeitamente em janeiro de 2026”, afirma.

O segundo grande pilar, de acordo com Navarro, são as negociações de preços e contratos, especialmente entre empresas, o chamado B2B — sigla para business to business, de negócio para negócio. “A reforma impacta de maneira diferente produtos, serviços, setores, diferentes setores. Então, sem dúvida, há aqueles que vão experimentar um aumento de carga tributária e há aqueles que vão experimentar uma redução de carga tributária. Portanto, as empresas devem negociar, especialmente seus contratos de longo prazo.”

Em terceiro lugar estão os cálculos prévios relativos aos impactos da reforma, “para poder antecipar ou subsidiar as negociações”. “Uma empresa que está decidindo abrir uma filial, por exemplo, precisa revisitar a malha logística, empresas que têm incentivos fiscais. Então, são várias as necessidades em torno do cálculo de impacto da Reforma Tributária para aquela empresa e para os bens e serviços que são comercializados por aquela empresa”, aponta o advogado.

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), junto à Receita Federal, está trabalhando na “Plataforma da Reforma Tributária”, que visa criar um portal único para os contribuintes, facilitando o acesso e a compreensão da CBS e do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), promovendo maior justiça tributária e eficiência administrativa.

Previsto para entrar em operação apenas no próximo ano, o sistema deve garantir não só a automação dos processos e a integração dos tributos, mas também proporcionar um ambiente mais transparente e seguro para a arrecadação fiscal.

A plataforma, vista como essencial para o período de transição, deve operar na Nuvem de Governo, a única nuvem soberana do Brasil. Isso garante que os dados fiscais permaneçam protegidos e sob controle estatal, assegurando a integridade e a confiabilidade do novo sistema tributário.

Antes do processo de implementação total da Reforma Tributária, previsto para 2033, durante o período de transição, haverá uma época em que valerão os dois regimes tributários concomitantes, o que apresenta um enorme desafio, conforme destaca Rafael Balanin, sócio da área tributária do escritório Gasparini, Nogueira de Lima, Barbosa e Freire Advogados.

“A implementação do novo sistema prevê um período longo de convivência entre os modelos antigo e novo. Portanto, muito provavelmente teremos obrigações antigas e novas convivendo dentro dos departamentos tributários das empresas”, diz.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

“Nesse cenário, as equipes tributárias das empresas terão de lidar não apenas com as obrigações já existentes, como também deverão se atualizar quanto às novidades decorrentes da reforma, sem perder de vista a necessidade de manutenção de ambos os sistemas durante o período de transição. Certamente, esse momento será desafiador”, acrescenta.

A falta de clareza com alguns pontos do novo regime tributário também é visto como um empecilho para que as empresas, estados e municípios possam se preparar a partir deste ano. A principal razão, de acordo com Balanin, são as regras que ainda estão no Projeto de Lei Complementar (PLP) 108, em tramitação no Congresso.

O texto detalha a estrutura e as atribuições do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS). Por meio dele é que será definida a fiscalização, o contencioso e o funcionamento do comitê gestor. “Eu diria que ainda há uma grande falta de clareza em tudo isso”, ressalta.

“Ainda são necessárias muitas definições sobre as novas obrigações acessórias, ou adaptação das existentes, sobre as alíquotas-base de cada um dos novos tributos, entre outros detalhes importantes para o regular exercício da atividade empresarial”, lembra o advogado. “Isso sem falar na aprovação do projeto de lei que estabelece o regramento do Comitê Gestor do IBS, órgão fundamental para a solução de conflitos e gestão do IBS em âmbito nacional”, emenda

A judicialização é outro fator de risco no radar dos tributaristas no momento. De acordo com Carlos Eduardo Navarro, a maior chance de que isso aconteça é em casos de bitributação, que ocorre quando dois entes tributantes cobram dois tributos sobre o mesmo fato gerador. “Há tributos que não serão excluídos e que devem continuar em algumas situações, incidindo junto com os novos tributos. É o caso basicamente do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para as instituições financeiras, para o mercado financeiro em geral e também para seguros”, explica.

“O IOF, me parece que deveria ter sido, sim, substituído pelos novos tributos, justamente para evitar essa bitributação, e também o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), no setor imobiliário. Esses são casos que me parecem casos de bitributação que vão ser objeto de judicialização muito em breve”, avalia.

Apesar do tempo de adaptação parecer longo, o advogado tributarista Lucas Ribeiro, CEO da ROIT e um dos coordenadores do Curso de Implementação da Reforma Tributária da Trevisan Escola de Negócios, alerta para a necessidade de um planejamento estratégico desde já. “No período de transição vão ocorrer mudanças, ainda há um longo período, mas o que sabemos até aqui é mais do que suficiente para implementar a Reforma Tributária”, frisa.

Ribeiro ainda aconselha negociações antecipadas com os fornecedores, pois produtos ficarão mais caros, cabendo uma avaliação de formação de estoque ou compra antecipada, por exemplo. Segundo ele, algo que praticamente todas as empresas terão a necessidade de fazer é o aumento de caixa. “Como o Fisco sempre receberá antes — seja o CBS, no caso da Receita Federal, ou o IBS, no caso dos estados e municípios —, as empresas terão necessidade de capital de giro para fazerem o pagamento”, afirma.


Economia cresceu 3,4% em 2024, mas desaceleração deste ano preocupa

Posted by: | Posted on: março 8, 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB), e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comemoraram, nesta sexta-feira (7), nas redes sociais, o crescimento de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. Enquanto isso, entidades patronais enviaram nota demonstrando preocupação com a desaceleração da atividade econômica que já está contratada para 2025 e, provavelmente, para 2026.

“PIB crescendo é mais emprego e renda na mão dos brasileiros e das brasileiras. 2025 é o ano da colheita”, escreveu Lula em seu perfil do X, antigo Twitter. Na mesma rede, Alckmin festejou: “É o Pibão do presidente Lula! O Pibão da Nova Indústria Brasil!”, escreveu o ex-tucano, destacando a política voltada para a indústria nacional conduzida por ele frente ao Mdic e o avanço de 7,3% no investimento produtivo e garantiu que o país caminha para o crescimento sustentável.

A ministra do Planejamento, por sua vez, também festejou o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas redes sociais, e destacou para o dado da renda per capita, que cresceu um pouco menos do que o PIB nacional, que somou R$ 11,7 trilhões. “Boa notícia! O PIB per capita do Brasil em 2024 foi de R$ 55.247,45. Cresceu 3% em termos reais. Isso equivale a R$ 4.604 por mês por habitante. Significa aumento da renda média do brasileiro. Agora é seguir avançando, combatendo a inflação para baratear o preço dos alimentos”, escreveu Tebet, no X.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi mais contido, cumpriu agenda da semana longe de Brasília e só se pronunciou sobre o PIB à noite. Em entrevista ao podcast Flow, único compromisso oficial ontem, ele afirmou que a pasta projeta crescimento de 2,5% neste ano, acima da última previsão oficial, de 2,3%.

Desaceleração

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou preocupação com o processo de desaceleração do PIB no último trimestre do ano, que registrou variação de 0,2%, mas elogiou as medidas do governo para o setor produtivo. Para a instituição, esse resultado indica “um cenário de alerta para 2025” e ainda defendeu que o governo adote medidas para o equilíbrio econômico e que contribuam para a racionalidade dos gastos públicos. “Precisamos buscar o equilíbrio fiscal, com atenção às despesas, uma vez que a carga tributária já está no limite, principalmente para o setor industrial que é o mais sobrecarregado do país em relação a tributos”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, na nota.

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) engrossou o coro e defendeu a adoção de uma reforma fiscal robusta para uma alocação mais eficiente dos recursos públicos. “Este é o primeiro passo para a construção de um Estado eficiente, com infraestrutura de qualidade e um ambiente de negócios favorável. Caso contrário, voltaremos à combinação perversa de crescimento mediano, alta inflação e juros elevados”, afirmou o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, no comunicado.

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, também demonstrou preocupação com o processo de desaceleração da atividade. Ele lembrou que, apesar das previsões modestas no começo do ano passado por analistas e agentes econômicos, o resultado do PIB de 2024 foi robusto, “confirmando o bom desempenho da atividade econômica”, os dados mais recentes da economia, incluindo os do PIB 4º trimestre de 2024, “já mostram sinais mais claros de acomodação da atividade econômica”.

“É importante não perdermos de vista que temos de persistir no recuo dos impulsos fiscais por conta da necessidade imperiosa de fortalecermos o equilíbrio das contas públicas, condição para o Brasil alcançar patamares de juros estruturalmente menores”, defendeu Sidney.

Crescimento

A atividade econômica brasileira desacelerou no último trimestre de 2024, o que resultou em crescimento de 0,2% — menos da metade do esperado pelo mercado. Com esse resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país encerrou o ano com crescimento de 3,4% na comparação com 2023. Em valores nominais, o PIB, que é a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços, chegou a R$ 11,7 trilhões.

O dado também ficou levemente abaixo das estimativas do mercado e do governo, que chegou a cogitar alta de até 3,7%, mas indica o melhor desempenho das contas nacionais desde 2021, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (7). De acordo com os dados do IBGE, os principais motores para o desempenho do PIB no ano passado vieram, do lado da oferta, dos serviços e da indústria, que cresceram 3,7% e 3,3%, respectivamente, em relação a 2023.

Enquanto isso, a agropecuária, que deu uma forte contribuição no PIB de 2023, encolheu -3,2%. A arrecadação de impostos cresceu 5,5% e ajudou a ampliar o valor adicionado de riquezas do país ampliando a participação no PIB de 14,5%, em 2023, para 16%, em 2024.

Consumo

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foram os principais destaques, com expansão de 4,8% e de 7,3%, respectivamente, na mesma base de comparação. Analistas lembram que a taxa de investimento, de 17% do PIB, cresceu em relação aos 16,4% do PIB registrados em 2023. Contudo, esse patamar ainda está abaixo dos índices acima de 20% do PIB computados entre 2009 e 2013.

De acordo com analistas, o aumento da renda das famílias, devido à melhora no mercado de trabalho, e estímulos fiscais, como o Bolsa Família parrudo e o aumento real no salário mínimo, são algumas das razões para que o consumo das famílias apresentasse o maior crescimento desde 2011. Mas, a escalada dos juros e a persistência da inflação fizeram esse indicador recuar 1% no 4º trimestre, acentuando o processo de desaceleração que deverá se estender para 2025, ano em que o PIB poderá crescer menos de 2%, conforme algumas estimativas.

“A economia está desacelerando e não podemos descartar queda de PIB no segundo semestre deste ano”, alertou a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria. Ela esperava alta de 0,4% do PIB de outubro a dezembro. “Esse PIB mais fraco mostra que a desaceleração é maior do que o esperado por conta da queda da demanda. Isso indica que o consumo das famílias e os investimentos tendem a ser mais fracos ao longo deste ano, como reflexo da política monetária e do mercado mais tenso devido à percepção de risco maior no cenário externo”, explicou.

“Esse cenário apenas está chancelando o movimento de aumento da Selic que vem sendo conduzido pelo Banco Central”, acrescentou. O BC vem elevando a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 13,25% ao ano e pode encerrar 2025 em 15%, segundo estimativas do mercado. A economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), lembrou que, apesar do crescimento considerado forte do PIB em 2024, acima do crescimento potencial, isso vem contribuindo para a desancoragem das expectativas de inflação, que não param de ser revisadas para cima e seguem acima do teto da meta, de 4,5%.

Matos também reconheceu que o aumento de 4,8% do consumo das famílias em 2024 superou as estimativas e agora, haverá um cabo de guerra entre a política monetária e a política fiscal, se o governo resolver manter estímulos para evitar a desaceleração que está em curso. “O custo para conseguir reduzir a inflação tende a ser maior e vai ser um problema ao longo deste ano e do próximo, que tem as eleições presidenciais”, alertou. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, é categórico ao avaliar o desempenho do PIB de 2024 e avalia que a desaceleração de 2025 está convergindo para uma alta do PIB entre 1,5% e 2%.


Governo publica resultado final do CNU para cargos sem curso de formação

Posted by: | Posted on: março 7, 2025

O governo federal divulgou os resultados finais do Concurso Nacional Unificado (CNU) nesta sexta-feira (7/3). A lista com os nomes homologados foi disponibilizada no Diário Oficial da União e se refere aos candidatos que realizaram as provas do certame para cargos de nível médio (bloco 8).

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A pasta também convocou candidatos chamados para cursos de formação, oferecidos pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Essa etapa é obrigatória para candidatos aprovados a cargos de nível superior (blocos 1 a 7).

O Diário Oficial da União desta sexta também publicou novidades em relação aos candidatos habilitados para a terceira etapa das avaliações para cargos no instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), o perfil dos aprovados é diverso e conta com candidatos de diversas unidades federativas. “Oriundas de 908 cidades e com um terço de pessoas pretas e pardas, com deficiência e indígenas”, afirmou a pasta, em nota.

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Menos sorvete, menos comida fora: a anatomia da queda do poder de compra do brasileiro (e da popularidade de Lula)

Posted by: | Posted on: março 7, 2025

O brasileiro começou 2024 enchendo o carrinho no supermercado. Não só comprou mais, como também teve acesso a mais categorias de produtos, como revelam os dados compilados pela empresa de pesquisa e consultoria Kantar com base nos gastos mensais de milhares de lares no país.

O ritmo predominante foi de ampliação do consumo, inclusive fora de casa, com uma frequência a bares, restaurantes e cafeterias 9% maior do que em 2023.

Boa notícia, não fosse pela sinalização que veio do último trimestre do ano.

Nos últimos meses, o brasileiro passou a fazer menos refeições fora de casa e a buscar cada vez mais economizar no supermercado, especialmente os mais pobres, sinalizam os números adiantados pela Kantar à BBC News Brasil.

“É por isso que a gente está chamando esse consumidor de equilibrista, porque entende que ele está fazendo escolhas com o objetivo de balancear os gastos”, avalia Pedro Soares, diretor de contas da divisão Worldpanel da Kantar.

A pesquisa Consumer Insights acompanha os hábitos de consumo de 11.300 domicílios de todas as regiões e classes sociais do país, uma amostra que representa 60 milhões de lares.

Os dados são fruto da leitura das notas fiscais de tudo o que é comprado pelas famílias em canais que vão do supermercado e atacarejo a mercadinhos de bairro, passando por bares, restaurantes e lanchonetes.

O panorama de desaceleração registrado pelo levantamento em 2024 coincide com a trajetória de avanço da inflação de alimentos e bebidas no período.

Os preços nesse grupo cresceram em média 7,69% no ano passado, quase o dobro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechado, que avançou 4,83%.

A refeição dentro do domicílio foi a que ficou mais cara, 8,23% em média. O custo da alimentação fora de casa avançou um pouco menos, mas também cresceu mais que a inflação geral, 6,29%, conforme o indicador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em um ano de aceleração dos preços, à medida que o custo de vida ficou mais caro, o brasileiro foi reavaliando sua capacidade de compra e colocando o pé no freio do consumo, principalmente as classes D e E.

O cenário traçado pelo levantamento da Kantar dialoga com a piora na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrada por diferentes pesquisas no último mês.

Especialistas têm citado uma série de razões para a perda de popularidade da gestão do petista, da dificuldade de comunicação com o eleitorado a crises como o episódio de desinformação em torno do pix.

A economia, contudo, e mais especificamente o aumento dos preços de alimentos, têm sido centrais na maior parte dos diagnósticos.

“É o calcanhar de aquiles de Lula”, escreveu Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria de análise política Eurasia Group, em relatório enviado a clientes em meados de fevereiro.

A análise se debruçava sobre a mais recente enquete realizada pelo Datafolha, de fevereiro, que apontou uma redução de 35% para 24% entre aqueles que avaliam a gestão como “excelente” e “boa” e um aumento de 34% para 41% entre os que a julgam como “ruim” e “péssimo”.

Os percentuais anteriores haviam sido aferidos em dezembro de 2024, ou seja, essa piora ocorreu em apenas dois meses.

O quadro foi reforçado na semana passada com os dados da pesquisa Genial/Quaest, que apontaram que o índice de desaprovação do presidente supera a aprovação em todos os oito Estados pesquisados. Em seis deles, a desaprovação seria maior que 60%.

Inflação de alimentos foi quase o dobro do índice geral em 2024

Anatomia de uma queda

No decorrer de 2024, o brasileiro não apenas comprou mais, mas também teve acesso a uma maior variedade de produtos.

Sua cesta de consumo incluiu desde itens básicos de alimentação, limpeza e higiene até aqueles que não são considerados de extrema necessidade pela pesquisa, como tratamentos capilares, isotônicos e bebidas esportivas e chocolates.

Em cada trimestre (a periodicidade acompanhada pelo levantamento), foram mais de 50 categorias acessadas em média, o primeiro ano que esse patamar foi ultrapassado.

A expansão se deu entre todas as classes sociais, com alta de 5,1% em unidades em relação ao ano anterior.

“Do ponto de vista de consumo de bens não duráveis, 2024 foi um ano positivo”, observa Soares.

Os sinais de que a tendência se esgotava começaram a aparecer no último trimestre.

A desaceleração no ritmo de crescimento das refeições fora de casa foi a primeira indicação de que os brasileiros vinham se preocupando em controlar mais os gastos. No último trimestre, a frequência com que as famílias faziam esses programas aumentou 4,1%, menos da metade dos 9% observados no ano cheio.

Depois, chamaram atenção as mudanças nos hábitos de consumo dentro do supermercado.

À medida que o fim do ano se aproximava, os carrinhos foram ficando menos cheios e os consumidores passaram a fazer mais visitas aos pontos de venda, um indicativo de que intensificaram a busca por preços mais baixos e por promoções.

A frequência das visitas aos pontos de venda aumentou em 8% no último trimestre, em comparação com o mesmo período de 2023, enquanto o valor gasto por visita (tíquete médio) recuou 0,4%.

A composição da cesta de consumo no quarto trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, também reitera a percepção de desaceleração, com crescimento de categorias como a de empanados, por exemplo, em detrimento de frangos e avanço do café solúvel ante queda no consumo de café torrado.

Os brasileiros também compraram menos sorvete nos três últimos meses de 2024, passando a levar mais biscoitos, e colocaram menos cerveja no carrinho, e mais água e refrigerante.

O aumento do número de visitas aos pontos de venda foi puxado especialmente pelo atacarejo, que cresce na preferência não só dos consumidores que precisam fazer compras maiores, mas também entre aqueles que decidem passar no supermercado para levar apenas alguns itens para casa.

“Acho que o consumidor já enxerga essa equação de valor dentro do atacarejo de forma tão clara que, mesmo nas compras menores, por conta dessa busca por preço, ele procura esse canal para compra”, acrescenta Soares.

Esse movimento acabou impulsionando a demanda por todas as categorias de preço dentro do atacarejo, tanto as marcas mais baratas quanto as “premium”.

Além de um número maior de visitas às lojas, os consumidores brasileiros também recorreram mais ao e-commerce, mais um sinal de que estão buscando economia.

As compras de itens como bebidas, produtos de higiene e ração para animais de estimação aumentaram nos canais digitais.

“O consumidor também está variando os meios de acesso, ‘mixando’ aplicativos com compras que faz no WhatsApp e no site dos varejistas.”

Apesar da perda de fôlego, de forma geral o consumo medido pela pesquisa da Kantar não chegou a contrair entre os brasileiros, reitera Soares.

Essa, ele acrescenta, também é a tendência para 2025. A projeção da consultoria para este ano é de estabilidade na despesa com a cesta de consumo — o que não necessariamente sinaliza um alívio para o governo, especialmente diante da deterioração da aprovação da gestão entre os mais pobres.

Consumo de não-duráveis cresceu em 2024, apesar de desaceleração no último trimestre

Classes D e E mais afetadas

O detalhamento dos dados da pesquisa Consumer Insights por classe social mostra que as que mais sentiram no bolso a mudança de cenário no fim de 2024 foram a D e E.

Quando se trata dos programas fora de casa, esse foi o único grupo em que a frequência de consumo fora do lar recuou no último trimestre de 2024, expressivos 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, contra alta de 8% nas classes A e B e de 6% na classe C.

No supermercado, foi o único grupo que chegou a reduzir o total de unidades que colocou no carrinho (-0,6%) e ampliou o gasto médio por domicílio em ritmo significativamente menor, 4,3%, quase metade do registrado entre os demais (8,6% classes A e B, 8,5% classe C).

A queda na aprovação do governo sinalizada pelas pesquisas de opinião foi especialmente pronunciada nessa fatia da população. Conforme o Datafolha, entre os brasileiros com renda inferior a dois salários mínimos a avaliação da gestão como excelente/boa recuou de 49% para 29% de dezembro para fevereiro.

Como destaca a Eurásia em relatório, ao lado das mulheres (em que a avaliação positiva da gestão retraiu de 38% para 24%), esse grupo é justamente aquele mais sensível à aceleração na inflação de alimentos, já que tradicionalmente vê uma fatia maior da renda comprometida com gêneros básicos.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que, em janeiro de 2025, 22,61% do orçamento das famílias com renda entre 1 e 1,5 salário mínimo era direcionada para a compra de alimentos, ante 18,44% no mesmo mês de 2018.